Entre vulnerabilidades e resistência: Prof. Dra. Linda Macena defende memorial e celebra trajetória marcada pela dedicação, pelo rigor acadêmico e pelo compromisso social na saúde
Data da publicação: 8 de junho de 2026 Categoria: Sem categoria
Na tarde do dia 3 de junho, às 13h, a Professora Raimunda Hermelinda Maia Macena defendeu seu memorial acadêmico para promoção ao cargo de Professora Titular da Universidade Federal do Ceará — a mais alta posição da carreira docente no magistério superior público brasileiro. Diante de banca examinadora, família, amigos, orientandos e colaboradores, ela narrou uma trajetória que começou longe dos grandes centros acadêmicos e se construiu sobre uma convicção herdada ainda na infância: o conhecimento é o único bem que ninguém pode tirar de você.
As raízes no sertão e a bússola dos pais
Natural do Ceará, Raimunda Macena cresceu com os ensinamentos de seus pais como fio condutor. A mensagem era clara e repetida: o estudo era o único caminho possível, e o que se aprende não se perde. Esse princípio acompanhou cada escolha ao longo de décadas de formação e trabalho. Em seu memorial, a professora revisitou esse ponto de partida com afeto e reconhecimento, situando-o como a raiz mais profunda de seu compromisso com a educação de qualidade.

Uma trajetória de formação sólida e contínua
Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual do Ceará (1995), Raimunda Macena nunca parou de estudar. Concluiu o mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade de Fortaleza (2001), o doutorado em Ciências Médicas pela UFC (2009) e realizou dois pós-doutorados: o primeiro em Saúde da População Penitenciária Feminina e das Servidoras Prisionais (UFC, 2014) e o segundo em Gestão da Informação (UFPR, 2021). Professora da UFC, atua no curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina e no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública, onde orienta mestrandos e doutorandos.
Ao longo de sua carreira, coordenou projetos de extensão e pesquisa de impacto reconhecido, como o PROSA — Programa de Promoção da Saúde — e o PREQUAVI — Programa de Reabilitação e Qualidade de Vida —, além de liderar grupos de pesquisa sobre violência, promoção da saúde e populações vulneráveis. Sua produção científica é extensa, com artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, dezenas de livros e capítulos organizados, e centenas de trabalhos apresentados em eventos científicos.
Ciência para quem mais precisa
O fio que conecta toda essa produção é uma escolha ética e política: fazer ciência voltada para as populações mais vulneráveis e frequentemente invisibilizadas no processo de saúde-doença. Profissionais do sexo, pessoas privadas de liberdade, trabalhadores da segurança pública, adolescentes em conflito com a lei, idosos institucionalizados e populações LGBTQIA+.
Para Linda Macena, saúde pública que não enfrenta a desigualdade estrutural não cumpre seu papel. Essa perspectiva marca tanto sua produção de pesquisa quanto sua prática em sala de aula, onde busca formar profissionais de saúde capazes de olhar para além dos protocolos clínicos e reconhecer os determinantes sociais do adoecimento.
Ensino, extensão e o prazer de orientar
A docente também é reconhecida por sua dedicação ao ensino na graduação e por sua atuação intensa na pós-graduação, com dezenas de mestres e doutores formados sob sua orientação. Ao longo dos anos, desenvolveu materiais didáticos inovadores, jogos educativos, aplicativos multimídia e rubricas de avaliação por competências, sempre buscando aproximar o ensino da realidade concreta dos estudantes e das comunidades atendidas.
Uma conquista que pertence a muitos
A defesa do memorial foi também um momento de reconhecimento coletivo. A professora Linda Macena homenageou seus pais pela sua conquista, trazendo para o ambiente um clima em referência ao local de onde veio, o Sertão do Ceará. Esse evento marcou mais um capítulo de uma história que continua sendo escrita com rigor, cuidado e compromisso com a saúde pública como direito de todos.

